Rádios comunitárias se organizam após ação da PF e Anatel

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Mariana Martins, para o Observatório do Direito à Comunicação
28.03.2008

Recife - Pouco mais de uma semana após a ação da Polícia Federal que fechou 30 rádios consideradas “ilegais” em Pernambuco, o movimento de rádios comunitárias no estado dá início a uma contra-ofensiva ao que consideram a criminalização da atividade. Mais de 70 pessoas, incluindo representantes de 34 emissoras comunitárias, participaram nesta quinta (27) da audiência pública convocada pela Federação de Rádios Comunitárias de Pernambuco (Fercom-PE), pela Associação de Rádios Comunitárias Pernambucanas e pela Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço).

No evento, realizado na Câmara dos Vereadores do Recife, as três organizações decidiram promover uma passeata pelo centro da capital. A data ainda não foi definida, mas o ato deve ocorrer nos próximos dias. As emissoras pernambucanas também aventam a possibilidade de uma marcha a Brasília.

A ação da PF, intitulada de “Segurança no ar” [ver aqui], tentou cumprir mandados de busca e apreensão dos equipamentos de 56 rádios que funcionam sem outorga no Recife e em outras cidades da região metropolitana. Não faltaram recursos para isso: foram mobilizados 60 policiais federais, distribuídos em 18 equipes.

No entanto, a Agência Nacional das Telecomunicações, responsável pela fiscalização, não conseguiu fechar todas as rádios. Duas funcionavam com liminar concedida pela Justiça e outras 24 estavam fechadas no momento da apreensão, algumas desde a realização de outras ações da PF com a Anatel. Quatro pessoas foram levadas para a sede da Polícia Federal no Recife e tiveram que prestar depoimento sobre as atividades que desenvolviam nas rádios.

Segundo a Anatel, a operação foi feita para garantir a segurança no Aeroporto Internacional dos Guararapes, que funciona no Recife, e que, de acordo com a agência, estava sofrendo com a interferência dos sinais das rádios, denominada por eles de piratas. “A única coisa que as rádios comunitárias derrubam é a audiência das rádios comerciais”, gritou uma pessoa durante a audiência, sendo aplaudida pelos demais.

De acordo com Manina Aguiar, do Fórum Pernambucano de Comunicação, a argumentação da Anatel é uma falácia. Ela cita inclusive pesquisas do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) que desmistificam esta acusação.

“Quero ouvir apenas um caso de acidente causado pela dita interferência das rádios comunitárias”, desafiou Manina. “Se de fato houvesse interferência não haveria o processo de legalização das rádios, porque as outorgadas também interfeririam. Mal dá para ouvir no nosso raio de atuação e nas áreas de morro o alcance é ainda menor.”

Comunitárias de verdade

Para Hélio Oliveira, membro da Fercom e presidente da Rádio Guabiraba FM, as rádios comunitárias não devem se inibir com a ação da Anatel e da PF. Segundo ele, a melhor forma de garantir que uma emissora não seja fechada é ser, de fato, comunitária, tornando-a parte integrante e indispensável da comunidade. “Teve muita rádio que conseguiu fechar as portas e esconder os transmissores antes da ação porque a comunidade mesmo defendeu a rádio. Eles despistaram a polícia e avisaram às rádios da ação.”

Oliveira demonstrou a disposição das comunitárias de fazer frente à criminalização. “Podem fechar dez vezes e nós vamos reabrir outras dez. Nosso lema é ocupar, resistir e transmitir”, disse.

Fazer frente às rádios “pseudo-comunitárias” é um tema caro ao movimento pernambucano. Em vários momentos, a existência destas emissoras, muitas delas outorgadas a laranjas de políticos e também apropriada por grupos religiosos, torna-se um tipo de concorrência desleal. Algumas dessas rádios “apadrinhadas” têm seus pedidos avaliados e liberados com maior agilidade, contudo não contam com a representatividade e funcionam na maioria das vezes como os grandes veículos comerciais.

Por esta razão, os radialistas populares buscam maneiras de fazer com que as pessoas saibam diferenciar o que é uma rádio comunitária de verdade e o que é uma rádio pseudo-comunitária. David Moreno, da Alternativa FM, de Paulista, falou da importância de esclarecer o papel das rádios para a comunidade. “Nós além de falarmos durante toda a programação sobre o papel que deve ter uma rádio que se propõe comunitária de verdade, falamos também que nós não derrubamos avião nenhum e que a campanha que eles fazem contra a gente é porque não querem democratizar a comunicação. Isso também é tarefa nossa.”

A falta de informação sobre como funcionam as rádios verdadeiramente comunitárias atrelada às campanhas de criminalização, levada a cabo pelas rádios comerciais e também setores do governo, dificulta a legalização das rádios e marginaliza seus operadores.

Segundo Ivan Moraes Filho, do Centro de Cultura Luiz Freire, falta vontade do governo federal para legalizar a situação das rádios comunitárias. “Muitas delas passam anos esperando resposta do Ministério das Comunicações e não recebem as suas outorgas. Algumas se articulam e conseguem uma liminar para funcionar, mas a maioria continua na clandestinidade e trabalhando sem saber quando vai chegar a Polícia Federal”, afirmou.

Legalizadas, ou quase

Representantes de rádios comunitárias que já passaram por perseguição e que hoje são legalizadas, a maioria do interior, demonstram que a briga vai muito além das questões jurídicas. Segundo Valter Cruz, da Rádio Feira Nova, que fica no município de mesmo nome, é preciso manter a articulação entre as organizações. “A luta não acaba quando conseguimos a outorga. Estamos aqui porque sabemos das dificuldades e somos solidários a esta luta. Estamos dispostos a ajudar no que for preciso e fortalecer essa importante articulação que se forma aqui”, pontuou.

E
m situação legal “intermediária”, a Alternativa FM foi uma das duas rádios que não foi fechada na operação por ter conseguido uma liminar que garante o direito de funcionar até que o Ministério das Comunicações dê uma resposta sobre o pedido de legalização encaminhado pela rádio. A advogada que encaminhou o processo e que acompanha o caso da Alternativa, Renata Rolim, diz que é muito difícil atualmente legalizar uma rádio comunitária por conta da lentidão do Ministério em analisar os milhares de pedido que chegam anualmente.

Ainda segundo a advogada, apenas 16 pessoas do ministério trabalhavam no setor de avaliação de outorgas, ao passo que o número de processos esperando para avaliação é superior a sete mil. “Só há aplicação da lei no que diz respeito à repressão. O dinheiro que a  Anatel tem para fiscalização em geral vai toda para a fiscalização das rádios comunitárias. Logo, não há interesse em legalizar e sim em reprimir.”

Um dos entraves encontrados pelas rádios é a própria Lei da Radiodifusão Comunitária, que completa dez anos em 2008 e que continua sendo apontada como extremamente ineficaz no sentido de permitir e principalmente de garantir a existência deste tipo de comunicação.

Durante a audiência a legislação do setor foi muitas vezes criticada e, em contrapartida, foi defendida a realização da Conferência Nacional das Comunicações para ainda este ano. Segundo os participantes da audiência, um dos grandes desafios para a radiodifusão comunitária se apresentar coesa nesta conferência é a defesa das rádios verdadeiramente da comunidade.

Comentários
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jose claudio teles  - altocritica contra esses abuso da anatel   |187.41.58.xxx |2009-12-23 00:27:48
quero aqui dar meu voto de repudio a essa lei ultrapassada que nen regulamenta os pedidos de autorgas das radios e so reprime,..gostaria de mem juntar com voçes e fazr parte desse movimento, pois nossa radio aqui em uniao dos palmares a dois anos foi fechada e o transmissor foi comfiscado..´´e saiba que podemos processar os agentes que leva os equipamentos sem ordem judicial,por invasao de domicilio,furto,abuso de autoridades,e danos materiais´´,pois a lei que eles usam para fechar as radios nao tem força pra isso.por tanto meus irmaos.. nao tenham medo de processo como esses,nos temos nosso direitos com relaçao a transmitir,poi uma radio comunitaria so deve ser fechada com ordem judicial,caso contrario a comunidade nao poderar deixar confiscar nada nem tao pouco apreender os equipamentos que eles nao forneceram nem doaram..forte abraço a todos e um feliz natal.
SERGIO  - DESABAFO   |200.96.226.xxx |2010-02-08 22:37:03
SABE TANTAS COISAS MAS IMPORTANTES PARA A POLICIA FAZER,COM TANTA BANDIDAGEM NA RUA POR QUE FICAM PERSEGUINDO, PESSOAS QUE USAM A RÁDIO PARA AJUDAR OUTRAS PESSOAS? SABE VOU CONTAR UM RELATO BEM SIMPLES E RÁPIDO ATRAVES DE UMA RADIO COMUNITARIA QUE MINHA MÃE CHEGOU A TEMPO AO HOSPITAL PRA SER ATENDIDA APOS UM ENFARTE HJ ELA ESTA VIVA GRAÇAS AS PESSOAS ANONIMAS QUE FICAM ATRA S DE UM MICROFONE SEM DORMIR E SEM COMER DIREITO, SABE EU SEI QUE TEM GENTE DO GOVERNO QUE LEEM ESSES COMENTARIOS QUE NO CASO ESTOU ESCREVENDO AQUI, SABE PRA VCS DEPUTADOS E AUTORIDADES FOI ATRAVES DO MEU VOTO E DE MEUS COMPATRIOTAS QUE VCS ESTAO COM ESSA BUNDA SENTADA ELEITO PELO MEU VOTO E DA MINHA MÃE, SABE EM VEZ DE VCS INVETAREM LEIS ORDINÁRIAS POR QUE NAO LIBERAM AS RÁDIOS COMUNITARIAS? QUERIA QUE A MAE DE UM DELES PRECISASSEM DE SOCORRO COMO A MINHA PRECISOU QUERIA VER COMO SERIA SE VC A SITUAÇÃO INVERSA...
darci romualdo   |187.35.192.xxx |2010-02-19 01:19:54
nos queremos funcionar radio comnitarias, precisamos de ajudas,lutar juntos pois asim vamos conseguir a democracia e os direitos iguais da constituiçao nacional,e dever de um cidadao brasileiro respeitar as leis,e as pessoas que estao na lei, e essas pessoas tem o dever de ver que aquele que tem a lei este e compridor da lei, no brasil, na mior parte e so ,papel e as pessoas fazem o que querem...procurando nao deixar outra pessoa viver,tudo gera prosseço, perda de equipamentos,dizem ate prisoes isso e um absurdo, a autoridade nao ve isso funcionar uma radio debaixo de criticas de vizinho,ameaças dde pessoa que esta no poder,isso nao e bom,estudio escondido isso e feio pr UM CIDADAO QUE CONTRIBUI PARA O MUNICIPIO,QUEREMOS FUNcionar radios fm sem ameaças de ninguem,todas as denuncias feitas vem um boletim de acorrencia para comparecer na delegacia, e ai e deferente a pf vem em momento que ninguem sabe,ja que esta denuncia porque a pf nao da um comunicado de fechamento primeiro pra despois a ameaças e ate entao perda de equipamentos ,processos e prisoes. teimosia a justiça, asim e prejuiso pros fiscais e para propietario...ligesladores do pais queremos nossos diretos de rdios comunitarias quantos mais logo.
jp fm  - rádio pirata não e crime   |187.78.166.xxx |2011-02-08 23:57:21
eu apoio as rádios piratas pois na eu tinhã uma rádio pira aqui na minha casa eque foi fechada a dois anos e o transmissor foi apriendido
helyvelltongravações   |187.59.247.xxx |2012-05-09 12:12:40
eu apoio as radio comunitária porque eu tinha uma na minha casa mas fecharam levaram meu transmissor mas fazer o que
eles são autoridades mas as rádios comunitárias toca o que a galera gosta por isso que tem muita audiência.
DARCI ROMUALDO  - RADIO COMUNITARIAS   |187.34.43.xxx |2012-09-16 21:59:36
TEMOS QUE CONTINUAR NA LUTA PELO NOSSO DIREITO, QUERO FUNCIONAR UMA RADIO COMUNITARIA AQUI EM GUAPIARA SP, DEUS VAI ME DIRIGIR E EU VOU CONSEGUIR ISSO EM PROL OS ENVANGELICOS DE NOSSA CIDADE, E TODAS AS COMINIDADES SERAO BENEFICIADAS, ME AJUDEM POR FOVAR ABRAÇOS.

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