Governo anuncia PNBL com Telebrás e pacotes de R$ 15 a R$ 35

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Cristina Charão - Observatório do Direito à Comunicação
05.05.2010

O anúncio oficial do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) confirmou que o programa estará baseado na presença reguladora do Estado no setor da internet em alta velocidade para aumentar a competição, baixar o preço ao usuário e ampliar a cobertura. A principal meta, considerada ambiciosa pelo próprio governo, é mais que triplicar o número de domicílios com acesso à rede com velocidade mínima de 512Kbps até 2014. Além de confirmar a criação de uma rede nacional de fibra ótica gerenciada pela Telebrás e uma série de programas de investimentos e desoneração fiscal para pequenos provedores, a apresentação também mostrou a preocupação de o PNBL abarcar entre os seus objetivos vários aspectos da inclusão digital, incluindo as relacionadas às políticas produtivas, ao conteúdo e às aplicações e serviços.

Embora amplo e trazendo uma novidade interessante – a criação de uma instância participativa para a formulação das políticas futuras para a banda larga –, o PNBL anunciado está baseado em diversas medidas de incentivo e parcerias, cujos resultados dependem da adesão de parceiros privados e também públicos. Além de contar com os pequenos provedores e com estados e municípios para serem parceiros da Telebrás e usarem a rede nacional de fibra ótica para levar a banda larga até os domicílios, o plano prevê investir dinheiro público na criação de provedores e também de lan-houses.

Também está prevista a desoneração dos pequenos provedores da cobrança da taxa do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), para que estes baixem o preço dos pacotes de acesso. Este preço depende também da adesão dos estados ao PNBL, já que apenas estes podem decidir sobre a cobrança do ICMS.

Além disso, o plano deixa de fora algumas questões estruturais, como o uso do Fust. O fato de não tocar no assunto remete a duas questões centrais e polêmicas para o governo. A primeira é que isso levaria a um debate sobre a definição da banda larga como serviço essencial a ser prestado em regime público. A segunda é o compromisso do governo em aprovar o projeto de lei que muda as regras do fundo, em discussão no Congresso Nacional, fruto do acordo com as operadoras privadas para criar o Programa Banda Larga nas Escolas.

Por fim, a velocidade mínima considerada pelo plano é muito modesta. Um dos pacotes terá preço de R$ 35 ou R$ 29 (dependendo se será ou não cobrado o ICMS) para uma velocidade de 512 a 784 Kbps. O outro, considerado o pacote incentivado, custará R$ 15, para uma velocidade de 512 Kbps, mas com limitação de downloads.

Numa comparação com padrões internacionais, estas velocidades sequer são consideradas banda larga . O plano, portanto, poderá resolver as lacunas do acesso, mas não enfrentará as questões relacionadas à desigualdade tecnológica.

Rede nacional e Telebrás

O primeiro passo concreto e a medida central do plano é a reativação da Telebrás, como gerenciadora de uma rede nacional de fibra ótica. Nas palavras do coordenador do Programa de Inclusão Digital do governo, Cezar Alvarez, será uma “rede reguladora, articulando-se com pequenos provedores, com os estados e os municípios”.

Segundo Alvarez, a hipótese da Telebrás prestar o serviço diretamente ao usuário, a chamada última milha, é “remota”. Porém, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou na coletiva que apresentou o PNBL que “se não houver [oferta com os preços indicados em alguma localidade], a gente vai fazer, porque as pessoas tem que ter acesso à banda larga”.

Fórum Brasil Digital

A grande novidade da apresentação foi a previsão de criação do Fórum Brasil Digital, instância formada por membros do governo, dos órgãos ligados à governança da internet (como o CGI.br), dos setores empresariais e de representantes dos usuários e de entidades da sociedade civil. Segundo Alvarez, o fórum será constituído nos próximos 30 dias.

A nova instância terá um papel articulador dos vários setores para pensar as políticas públicas para a banda larga, incluindo temas como conteúdo, direitos civis, segurança, além das questões de acesso e mercado. O fórum deverá formular plano de ação de longo prazo para o setor, além de ser também o local para a discussão e produção dos instrumentos normativos.

A julgar pelo fato de a criação da instância não ter sido ventilada antes, nem mesmo nas reuniões setoriais realizadas pelo Planalto, o Fórum Brasil Digital deverá ser parte das conversas com os diversos atores - provedores, lan-houses, governadores e prefeitos, além de representantes da sociedade civil organizada – que serão realizadas na sexta-feira. A agenda de reuniões já está sendo fechada pela Casa Civil e o Ministério do Planejamento.

Veja a apresentação do PNBL feita na coletiva de hoje.

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Comentários
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Gladistone Gripp  - Aprovo com reservas   |201.80.16.xxx |2010-05-12 13:46:49
Boa a notícia, que abre ao menos a discussão sobre esse serviço essencial a todos nós.
A questão mais polêmica é que essa faixa NÃO é de forma nenhuma banda larga. Estreitíssima! É apenas um quebra-galho. E assim permanecemos "correndo atrás" de verdade, sempre! Sempre na "rabeira".
A boa notícia , louvável, é o Forum Brasil Digital, que certamente colocará algumas questões que podem melhorar essa versão canhestra e mixuruca de "banda larga" apesar da intenção se das melhores. Veremos no que dá!!
Fabrício de Oliveira Alves  - Aprovo com Reservas [2]   |189.105.156.xxx |2010-05-15 14:04:54
Também aprovo a idéia. Seria bom se mudassem o nome para algo do tipo: Internet para todos, ou algo do gênero, pra não ficar feio pro Brasil quando comparado em âmbito internacional.
Acho que o preço tá legal para a velocidade disponibilizada.
JORGE LUIZ HEMERLI  - PARECE PIADA   |200.217.5.xxx |2011-01-12 11:04:04
COMO TUDO NESTE PAÍS ESSA É MAIS UMA FORMA DE BENEFICIAR ALGUNS EM DETRIMENTO DE OUTROS. VIVO EM ITAPEMIRIM ES, UMA DAS SUPOSTAS CIDADES BENEFICIADAS PELO PNBL E AINDA NÃO SEI A QUEM PROCURAR. SOU CLIENTE DE UMA TAL VENTOX, HOJE WINDX SUPOSTO PROVEDOR DE BANDA LARGA SEM FIO QUE ADERIU AO SISTEMA DO GOVERNO E NADA FEZ ATÉ AGORA. REFORMULARAM SUA HOME PAGE ONDE EXISTEM OS FAMIGERADOS PLANOS A PARTIR DE 52,00 E NÃO OS 15,00 OU 35,00 TÃO PROPALADOS PELO GOVERNO E PASMEM: 52,00 PARA O FORNECIMENTO DE 300 KBPS E MESMO ASSIM EU COMO CLIENTE DESTA EMPRESA A + - 3ANOS TEREI QUE PAGAR 150,00 A TÍTULO DE PAGAMENTO DO EQUIPAMENTO QUE SERÁ COLOCADO NA MINHA ANTENA EM SISTEMA DE COMODATO. ISTO PORQUE A OPERADORA DE TELEFONE DA CIDADE, ESTA FAMIGERADA OI NÃO DISPONIBILIZA O SEU SISTEMA VELOX PARA SEUS CLIENTES LOCAIS QUE SÃO OBRIGADOS A ENGOLIR ESTA TAL EMPRESA DA QUAL SOU CLIENTE OU UMA OUTRA MTZ NET AQUI DA REGIÃO QUE OPERAM NAS MESMAS CONDIÇÕES. TRISTE SITUAÇÃO DE QUEM VIVE NESTE LASTIMÁVEL PAÍS SUBDESENVOLVIDO QUE CAMINHA SEMPRE NA RETAGUARDA DAS NAÇÕES, ISTO PORQUE ESTOU NA REGIÃO MAIS DESENVOLVIDA DO PAÍS, SUDESTE ONDE TAMBÉM NÃO HÁ FISCALIZAÇÃO PARA NADA E AS EMPRESAS AGEM A BEL PRAZER.
Pedro Jose de Melo  - a mesma situação   |189.48.49.xxx |2011-01-31 12:22:13
Como na telefonia tudo indica que vamos continuar pagando os maiores preços e recebendo o pior serviço do planeta Terra. Enquanto não houver ética e respeito pelo cidadão e vergonha na cara dos políticos e alguns empresários seremos assim tratados.

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